EM NOTA, DIRETORIA DO ANDES - SINDICATO NACIONAL REPUDIA PRONUNCIAMENTO DE BOLSONARO

Em nota publicada nesta quarta (25), a diretoria do ANDES- Sindicato nacional repudiou o pronunciamento feito pelo presidente Jair Bolsonaro, na noite de terá (24). "Temos que dizer um basta a essa política genocida e irresponsável gerida pelo executivo e aplainada por parte do Congresso Nacional, que por sua vez também está se esforçando para retirar direitos do(a)s trabalhadore(a)s, em especial do funcionalismo público, propondo a redução salarial", diz um trecho do documento. 

Confira: 

NOTA DA DIRETORIA NACIONAL DO ANDES-SN DE REPÚDIO AO PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA JAIR BOLSONARO 

A diretoria nacional do ANDES-SN expressa seu profundo repúdio ao pronunciamento realizado pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro. Em meio a uma pandemia, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que já levou cerca de 19 mil pessoas à morte em todo o mundo e já contamina um número imensurável da população mundial, o chefe do poder executivo brasileiro faz um pronunciamento em defesa da economia e contra a vida do(a)s trabalhadore(a)s. 

No Brasil já temos cerca de 46 mortes e 2 mil casos confirmados. Dados que podem estar subestimados devido ao sucateamento do sistema público de saúde brasileiro que não consegue testar todas as pessoas gerando uma subnotificação. No mundo as cidades vão pouco a pouco sendo fechadas, colocando a população em isolamento social como forma de combater a pandemia. 

No mesmo dia que o Comitê Olímpico Internacional adia as Olimpíadas, demonstrando a gravidade da situação mundial, o Presidente da República, demonstrando todo o seu obscurantismo, sua visão elitista, sua prioridade à política ultra neoliberal, em que os lucros estão à frente da vida, faz pronunciamento em rede nacional para falar que o coronavírus é uma “gripezinha”, que é necessário “combater o pânico e a histeria”, para acusar os meios de comunicação “de espalhar a sensação de pavor”, que “nossas vidas têm que continuar (...) e devemos sim voltar à normalidade”, indicando que as autoridades estaduais e municipais “devem abandonar o conceito de terra arrasada e a proibição de transportes, o fechamento do comércio e o confinamento em massa”. Questiona inclusive o fechamento de escolas, demonstrando explicitamente sua incapacidade de compreender a ciência, o vírus e a necessidade da prevenção induzindo a população de que não há risco real, que tudo está dentro da normalidade. 

E pode ser mesmo que para o Presidente da República tudo esteja dentro da normalidade. A normalidade pregada por ele e pelo projeto do capitalismo. Uma normalidade que descarta vidas, que discrimina pobres, negro(a)s, LGBTT, mulheres, povos indígenas e pessoas com deficiência. Uma normalidade que tem levado à desvalorização das políticas públicas com ênfase para os ataques e o desfinanciamento na educação, saúde e ciência e tecnologia públicas. Uma normalidade, que como anunciada por alguns empresários, pode matar alguns(algumas), mas não pode parar a economia. 

Temos que dizer um basta a essa política genocida e irresponsável gerida pelo executivo e aplainada por parte do Congresso Nacional, que por sua vez também está se esforçando para retirar direitos do(a)s trabalhadore(a)s, em especial do funcionalismo público, propondo a redução salarial. 

É tempo de reação, nem que seja apenas de nossas janelas. É tempo de juntar forças para ir para as ruas tão logo seja possível para derrotar esse governo. É tempo de praticar nossa solidariedade de classe e cuidar do(a)s que podemos e apoiar as campanhas de ajuda aos mais pobres que vivem nas periferias desse imenso Brasil. 

Acabou, Bolsonaro! Seu governo envergonha o Brasil! Basta de extrema-direita! Basta de prioridade ao mercado! O que importa, nesse momento, é salvar VIDAS! 

Em defesa do SUS! 

Em defesa dos serviços e servidore(a)s público(a)s! 

Derrotar Bolsonaro/Mourão! 
 

Brasília(DF), 25 de março de 2020 

Diretoria do ANDES-Sindicato Nacional 

(Foto: Agência Brasil)

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